Slam em Libras: Uma batalha de poesia visual

Você já ouviu falar Literatura Surda? E sobre batalha de poesias em Libras? A Língua Brasileira de Sinais - Libras, pode lhe surpreender com sua riqueza e diversidade cultural. Convidamos você para se aventurar nesse grande imaginário fantástico, pois como já dizia Oliver Sacks “Enquanto existir dois surdos no mundo, haverá língua de sinais”.


Cultura Surda


Os surdos brasileiros, independentemente da cidade ou do estado onde vivem, compartilham ao menos de uma característica em comum, vivem em uma sociedade de maioria predominantemente ouvinte mas os processos de vivência cultural desses indivíduos é diferente dessa maioria porque os surdos constroem sua Identidade baseada no que vêem. Esse é o grande diferencial do surdo, o surdo é intrinsecamente visual.


A aquisição de uma língua gesto-visual dá aos surdos a possibilidade de se expressarem de diversas formas, devolve a dignidade da comunicação e promove uma cultura representada por e pela língua.


É claro que não podemos generalizar todos os surdos e afirmar que todos têm uma mesma cultura. Cada pessoa é única em suas experiências e vivências. Ao afirmar que existe uma Cultura Surda valorizamos a representação dos surdos através da sua língua, língua que produz sua literatura com características dessa sua cultura.


Literatura Surda


A produção de textos literários em Língua de Sinais valoriza o surdo como grupo linguístico e cultural diferente, a narrativa é composta de elementos que destaquem as características, desafios e história dessa comunidade. Apresentam-se de três formas se comparada à literatura dita “comum”: Tradução, Adaptação e Criação.


Na tradução, textos já existentes são traduzidas para Língua de Sinais, como este edital em Libras:



A adaptação de histórias traz elementos da Cultura Surda e altera o texto original. É bastante utilizada para a contação de histórias infantis, por exemplo a Cinderela Surda:



Na criação, as produções são elaboradas livremente em Língua de Sinais, incluímos aqui as poesias que se utilizam de ricos recursos visuais para expressão da subjetividade como no vídeo:


Um movimento que tem ganhado força na Comunidade Surda, é uma competição de poesias, o SLAM.


SLAM em Libras


A expressão SLAM vem da língua inglesa e se popularizou como uma disputa de rimas faladas onde o público escolhe quem é o melhor. A Comunidade Surda tem se utilizado da expressão para se referir a disputa de poesias em Libras, vou explicar como funciona essa batalha.


Pode participar quem quiser, surdo ou ouvinte, o importante é que só pode se expressar em Libras. Os jurados que vão avaliar a performance dos candidatos geralmente já são conhecidos na própria comunidade por sua desenvoltura com a Língua de Sinais, em sua maioria, surdos. É estipulado um tempo máximo para cada apresentação, o tema é livre e os três primeiros lugares ganham premiações.


Começam então as apresentações e ao final da primeira rodada os jurados dão uma nota para cada poesia, o candidato com a menor nota é desclassificado e assim vão se sucedendo às rodadas e eliminando os participantes até que três disputem os prêmios principais do evento.


O SLAM tem se difundido na Comunidade Surda e grandes encontros têm sido promovidos com uma forte participação principalmente de surdos. É a expressão de uma cultura através de sua língua.


SLAM é arte com as mãos.


A importância da representatividade


A representatividade é a expressão de um grupo na figura de um representante. Através dessa representatividade, que pode ser tanto positiva quanto negativa, a subjetividade desse grupo social vai se consolidando, por exemplo, quando um surdo se vê representado nas mídias, como um sujeito possuidor de uma rica língua, fica impresso em sua subjetividade o quão importante sua língua de sinais é, assim como os conceitos que os outros irão construir sobre essa identidade, que podem ser ideias pré-concebidas baseadas em estereótipos injustos, como pode ser essa própria representatividade uma forma de passar conhecimento e de quebrar preconceitos. É preciso dar ao surdo a autonomia para compor suas próprias narratividades e se auto representar, sendo a literatura o caminho mais necessário para se chegar a esse fim, através de slams, poemas, narrativas, fábulas e etc.



REFERÊNCIAS

SACKS, Oliver. Vendo Vozes: Uma jornada pelo mundo dos surdos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1990.

KARNOPP, Lodenir. Literatura Surda. ETD-Educação Temática Digital, 2006 - ssoar.info


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