Escrita para as Línguas de Sinais



Todos concordamos que as línguas de sinais são línguas de fato, né!?

Todas essas línguas possuem estrutura linguística iguaizinhas às línguas orais e são capazes de expressar qualquer informação, sentimentos, emoções, arte e cultura. Muito verdade o ‘ditado’ que quando aprendemos uma língua também aprendemos uma cultura.


Pacote completo Libras e Cultura Surda, olha que massa!!!


As línguas de sinais seriam línguas ágrafas? Espera. Mas o que é ágrafo? Ágrafo é algo que não possui registro, que não possui escrita. Então, existem várias propostas de escritas da Libras e vamos apresentar algumas delas agora, e claro, as línguas de sinais possuem sim, sistemas de escrita, portanto, não são ágrafas.


Segundo o professor e pesquisador Rundesth Sabóia Nobre (2011) a Escrita da Língua de Sinais (ELS) está em pleno progresso, pois, atualmente a comunidade surda brasileira se encontra em evolução em relação a ELS por meio do sistema SignWrithing (SW). Percebam que a Escrita da Língua de Sinais (ELS) pode ocorrer por meio de diversos sistemas e que sua história não é recente. Segundo ainda o professor, a ELS e alguns de seus sistemas, principalmente o SW, possuem “capacidade de registro de uma língua visual.” (NOBRE, 2011, p. 39).


Sendo assim, vamos explicar alguns desses sistemas. Chegue mais para conhecer sobre isso! Trouxemos muitas informações que descobrimos por meio de um artigo escrito por Thiago Cardoso e Karime Chaibue em 2018 (referências no final do texto).


Mimographie de Bébian


Ele criou um sistema de escrita chamado Mimographie com 190 símbolos usados para a representação gráfica dos sinais imitando a escrita das palavras faladas. Esse é o primeiro registro que conhecemos, data do século XIX, por volta de 1830. Segue uma imagem para termos uma noção de como era essa escrita.





SISTEMA DE NOTAÇÃO DE STOKOE


Há quem chame William Stokoe de Pai das Línguas de Sinais! Olha ele aí nessa imagem.




Ele foi o linguista responsável pela publicação de uma pesquisa realizada com surdos sinalizantes da American Sign Language (ASL), que é a língua de sinais americana, onde concluiu que as línguas de sinais são de fato línguas.


Stokoe e sua equipe criaram um sistema de notação para a ASL, no qual pudessem estudá-la a partir da grafia dos sinais, isso foi um marco para a ASL que passou a ter status de língua, e uma revolução para os Estudos Linguísticos que até então só se dedicavam a pesquisar as línguas orais. Olha o que Stokoe e sua equipe desenvolveram!



O HAMNOSYS


Criado por Prillwitz e Vollhaber na Universidade de Hamburgo, Alemanha, o Hamburg Sign Language Notation System – HamNoSys tem por volta de 200 símbolos e é muito utilizado em dicionários de Línguas de Sinais como uma descrição dos sinais. Segue-se no dicionário uma ordem baseada em parâmetros do Hamnosys ao invés de seguir o alfabeto.


Esta é uma imagem do sinal da Universidade de Hamburgo, primeiro uma imagem e depois em Hamnosys.







SISTEMA SIGNWRITING


Uma dançarina nascida nos Estados Unidos criou este sistema de escrita, Valerie Sutton.



Ela, a princípio, criou uma escrita para os passos de dança que precisava ensinar, depois adaptou a grafia à língua de sinais. Aqui no Brasil é a escrita mais conhecida e ensinada nas escolas de educação de Surdos, universidades e nos cursos de Letras-Libras.


Sua escrita pode ser adaptada para qualquer língua de sinais, tendo ainda um ‘software’ próprio. Acredito que você já tenha visto a Signwriting em algum livro infantil ou no final de alguma apresentação.






ESCRITA DAS LÍNGUAS DE SINAIS - ELiS


A Escrita das Línguas de Sinais (ELiS) foi desenvolvida por uma pesquisadora brasileira, Mariângela Estelita Barros, e publicada em 2008. Por estar no plural, foi nomeada como EliS. Confundir a Escrita das Línguas de Sinais (ELiS) com a Escrita da Língua de Sinais (ELS) é comum. Optamos por mostrar essa diferença. A ELS é a forma, enquanto, a EliS é um desses sistemas de escrita.



A ELiS têm 94 símbolos e os sinais devem ser escritos nesta ordem: Configuração dos Dedos, Orientação de Palma, Ponto de Articulação e Movimento. Diferente de outras escritas, não representa a Configuração da Mão, mas sim Configuração dos Dedos.


Dá uma olhada nessa imagem da representação do Alfabeto Manual.




E aí? Percebeu como esses sistemas são importantes? E que não existe um certo ou errado? De fato, o sistema Signwriting (SW) é o mais usual e difundido. Por isso, compreender que os povos surdos, que compõem as comunidades surdas do mundo, possuem sim, uma escrita visual, sendo o alfabeto e a escrita das línguas orais uma forma de interação com o mundo ouvinte. Não consideramos aqui questões de fluência na língua oral escrita, mas sim, atentamos para uma questão: porque os sistemas não são amplamente usados pelos povos surdos e comunidades surdas?


Pois é, isso é objeto de pesquisa e precisa ser aprofundado. Encerramos a matéria apresentando o conto da Cinderela Surda em Signwriting (SW). Para mais informações acesse os PDFs disponibilizados.


ANEXOS

Cinderela Surda

Manual da Escrita de Sinais


REFERÊNCIAS

CORTES, L.; SOUZA, M.; SCHWARZ, M. Escrita de sinais (ELiS). Falange Miúda, v. 1, n. 1, p.59-62, 2018.


NOBRE, R. S. Processo da grafia da língua de sinais: uma análise fono-morfológica da escrita em SignWriting.203 f..Dissertação (Mestrado em Linguística) - Pós Graduação em Linguística Aplicada, Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina,2011.

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