Deficiente auditivo ou Surdo?

Atualizado: 10 de dez. de 2021

É comum que pessoas que tenham pouco ou nenhum contato com pessoas surdas fiquem em dúvida sobre qual nomenclatura utilizar ao se referirem a elas.

“A forma correta é deficiente auditivo?” “Surdo é pejorativo?”

Neste texto, não vamos nos debruçar sobre “certo” ou “errado”, mas refletir sobre as questões por trás de cada um desses termos.



O que existe por trás do termo deficiente auditivo?

Em qualquer busca que você faça sobre o significado do termo “deficiência”, os resultados mais relevantes estão relacionados à ausência/insuficiência. Quando falamos sobre deficiente auditivo, o que está em evidência é o déficit, a falta da audição e assim, a busca pela normalização para que essas pessoas estejam mais próximas ao padrão imposto pelo que é tido como modelo a ser seguido. Essa é uma perspectiva reforçada pela área da saúde, por isso é uma nomenclatura mais difundida e que vem acompanhada de procedimentos para que essas pessoas sejam ensinadas a falar, uso de prótese auditiva e/ou seja submetidas a cirurgia de implante coclear para que essas pessoas passem a ouvir. Ou seja, há uma necessidade de que essas pessoas estejam mais próximas do padrão ouvinte, que é tido como o “normal”.


E qual o problema com o termo surdo-mudo?

Com o termo surdo? Nenhum! O problema está na palavra mudo. Isso porque a surdez não impacta em absolutamente nada o aparelho fonador. Inclusive, muitos surdos são ensinados a falar as línguas orais mediante o processo de oralização. E não podemos esquecer de um detalhe fundamental: as línguas de sinais são línguas, por isso os usuários dessa língua falam. Sendo assim, dizer que essas pessoas são mudas é desrespeitoso com a vivência e a cultura dessas pessoas.


Então não tem nada de errado em falar “Surdos”?

Não há nada de depreciativo em usar o termo Surdo! Diferente do termo “deficiente auditivo” que enfatiza a falta de algo, quando falamos de Surdo, estamos falando de pessoas que não entendem a surdez como a falta de algo, mas como uma característica que os compõem. Esta característica os faz ter uma experiência de mundo diferente, onde eles compreendem o mundo por meio dos olhos e se expressam com as mãos e o corpo. Aqui o déficit está relacionado não aos indivíduos, mas a sociedade com as diversas barreiras que dificultam a participação social e o desenvolvimento das pessoas surdas. Em geral, essas pessoas se organizam em comunidades onde compartilham uma cultura que evidencia muito a experiência individual de cada um. Vale ressaltar que não existe apenas uma identidade surda, uma cultura surda ou uma comunidade surda. O mundo surdo também envolve muita diversidade.

O termo Surdo vem carregado de muito orgulho. Inclusive, no dia 26 de setembro os Surdos brasileiros celebram este orgulho.


Quando você estiver em dúvida sobre como se referir a alguém, primeiro lembre-se de que ela tem um nome, isso é o principal. Pergunte como ela se reconhece e como gosta de ser chamada. Essa é a principal forma de garantir respeito a qualquer pessoa.


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